sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Live and Rare

Twist and shout/Walk on the wildside (live 1988)











quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Video Aula







http://nymag.com/arts/popmusic/features/62052/





Top Bunny: Ian McCulloch
Por Lizzy Goodman, publicada em 15.11.2009
Tradução: Verena Kewitz




"Não achei que fosse gostar disso", disse Ian McCulloch zombateiramente, após algumas músicas de um recente show secreto no Mercury Lounge. "Mas será uma grande noite. Vou acertar vocês um por um". O líder do EATB é famoso por seu humor eviscerante, mostrado no décimo primeiro álbum de sua banda, The Fountain. Mac, como é conhecido, falou com Lizzy Goodman.


Gosto do novo álbum mais do que achei que iria gostar.

Eu também. A força dele me surpreendeu. E a última música, 'The Idolness of Gods' é uma das melhores coisas que já escrevi. É poética, mas essa não era a idéia quando fiz a letra. Parece como quando escrevi 'The Killing Moon', quando senti que o refrão foi me dado por inspiração divina. Com 'Idolness' é Deus falando para mim "Você poderia fazer uma música para mim, uma em que eu possa cantar? Porque fiquei com preguiça". É um pouco como Fausto; Deus obviamente me ajudou a escrever 'The Killing Moon', daí tive de escrever uma música para Deus em algum momento.

Então, vocês estão quites?
É, está tudo ok. A menos que eu seja Deus, e nesse caso...


Você não cresceu num ambiente religioso, mas você é religioso?

Sim. Sempre senti essa culpa inata. Adoro colocar as pessoas em seu lugares, mas odeio fazê-las ficarem tristes. A menos que seja através de um música. Tive essa sensação recentemente de que eu me tornaria um católico. Adoro a idéia do confessionário. Mas talvez minhas músicas são como um confessionário – a maioria delas explicando ou insinuando minhas fragilidades e defeitos ou as fantasiando.


Em algumas entrevistas que você fez para o novo álbum, você falou de suas versões de você mesmo, algo como uma personalidade Jekyll-and-Hyde.

Estou escrevendo minhas memórias, e de toda a besteira louca de fluxo de consciência , escreverei uma página de deixar arrepiado. O título de um dos capítulos é "Escondendo-se de Jekyll ". Tive essas vozes na minha cabeça a vida toda. Dizia que existiam pelo menos oite diferentes versões de mim. Um deles era Mac 8, o qual meu empresário e melhor amigo conheceu. As pessoas disseram que é a coisa mais medonha que já viram. Mac 3 é o melhor – é o mais sexy, engraçado e seguro.

Uma opinião conhecida sobre os Bunnymen é que, grandes como são, poderiam ter sido tão grandes quanto o U2.

As bandas sempre dizem que querem ser grandes como o U2, mas estranhamente ninguém diz que são influenciados por eles. É porque não há nada ali na verdade. Eles têm boas melodias, e você vê que fuciona em garotos de 14 anos. Mas não vejo pessoas maduras ou crianças que estejam procurando por algo, algo profundo – algo que você sabe que é arte e que mudará sua vida – se importarem. Pois o U2 é sempre agitador de bandeira e "oba-oba". Esse foi o deslize do Springsteen também. Vi o show dele em Glastonbury, e foi algo como 'O que você está fazendo, se jogando na platéia? Não é um jogo de futebol, é fazer alguém ver a luz – uma luz inerna própria.




Link para texto original: http://www.spinner.com/2009/12/03/echo-and-the-bunnymen-may-perform-two-full-albums-on-2010-tour/












Os Bunnymen devem tocar dois álbuns inteiros na turnê de 2010
• Postado em 03.12.09, por Linda Laban
• Tradução: Verena Kewitz






Ian McCulloch, do EATB, tem grandes planos para 2010. "Quero tocar nossos dois primeiros álbuns do começo ao fim", conta ele a Spinner sobre os clássicos dos anos 80 Crocodiles e Heaven Up Here. "É uma questão de classe para qualquer um que já esteve numa banda que não é tão boa quanto a banda em que estou. Esses discos são os projetos por estar numa banda cool de rock."
A turnê nos EUA vai terminar em março ou abril próximos, diz McCulloch. Ele ainda não sabe como será, e também em relação à divulgação de The Fountain. Mas enquanto isso, EATB estão ansiosos pelos shows anuais em sua cidade natal. "Nossos shows de Natal se tornaram uma tradição para nossos fãs de Liverpool", diz McCulloch. "Nossos fãs incondicionais aparecem, gritam e cantam junto. Este ano, nossos fãs nos viram de novo na TV e nos ouviram no rádio. É algo como, se estamos na TV, eles estão na TV. É um triunfo compartilhado. Somos uma banda do povo".
Os shows de Liverpool, que acontecem na Liverpool Academy, entre 17 e 19 de dezembro, encerram um ano de altos e baixos nas turnês. Os baixos incluem o cancelamento do show do EATB em Dubai por Mac ter perdido a voz e o cancelamento da turnê nos EUA em novembro por questões com a receita federal. "Foi uma decisão dos empresários, e é tudo o que sei", diz McCulloch sucintamente. "Somos nossos maiores fãs, portanto ficamos decepcionados também. Mas acho que nos dá tempo para apresentar o álbum devidamente. E mais: as pessoas podem econominar dinheiro para o Natal."

domingo, 22 de novembro de 2009

Entrevista com Ian McCulloch

Entrevista com Ian McCulloch – Partes 1 e 2

Fonte: http://www.rockfeedback.com/feature/1224/echo-the-bunnymens-ian-mcculloch-interview-october-2009-part-1/

Por: Bronya Francis
Tradução: Verena Kewitz
Revisão: Katy Mary

OBS: Foram mantidos os sinais de interferência do editor da entrevista [ ]. Procurou-se traduzir e manter o tom informal de Ian McCulloch, como pausas, hesitações e digressões.



Imagine isso: você é uma garota de 18 anos, num táxi a caminho de entrevistar um dos mais reconhecidos rockstars britânicos, especificamente Ian McCulloch do Echo & The Bunnymen. Você sai do táxi assim que chega num grande Kensington Hotel, auxiliada por um porteiro, pronto para amparar sua queda se você for desastrada o suficiente para se desequilibrar. Sei que sou uma dessas pessoas, mas felizmente meu corpo se equilibra, ao contrário de seu estado palerma. Você entra numa das salas de jantar, repleta de homens de meia idade parecendo importantes, vestidos inteligentemente de terno feito à mão, e de mulheres elegantes insinuantemente trajando tons escuros de azul, marrom-chocolate, cinza-azulado e cores afins, dos pés à cabeça. O teto é ornamentado com vários motivos imitação da era vitoriana, e você vê uma estátua branca grega colocada compreensivelmente em cantos escuros. Numa pequena parte desse restaurante está sentado o Relações Públicas de Ian McCulloch e alguns jornalistas conhecidos bebericando chá, acompanhado de todo tipo de biscoitos esnobes. Você se dirige ao RP, se sentindo bem inadequada, sem ter frequentado nem mesmo um ano de faculdade, comparada ao restante das pessoas ali, a maioria das quais muito provavelmente com bons salários, freqüentadores da Liberty e morando em lindos condomínios que têm W1 no código postal.
Através de toda essa ansiosa opulência, você escuta risadas virem de uma grande poltrona, acompanhadas de um sotaque rústico de Liverpool. E é então que você consegue ver Mac, como é conhecido, vestindo jeans escuros rasgados (seus joelhos pálidos, pretuberantemente magros visivelmente brotando pelos buracos compridos e esfarrapados das calças), um moleton preto com capuz (com o zíper fechado até a clavícula), os óculos escuros obrigatórios (semi-opacos, provocando quem quer que fale com ele ao revelar apenas o contorno embaçado de seus olhos), tudo isso coberto por um penteado fino espetado (tingido de um preto impiedoso).
Ele foi a aparência de qualquer rock star típico, ainda que o calor daquele cara você verá no pub toda quarta-feira, você sabe, aquele pub que tem Sky Sports e uma TV tela grande. Digo isso porque ele ama futebol (torcedor do Liverpool), então perguntei a ele como foi o jogo em casa ontem à noite e recebi uma resposta lamentando o quão chato foi: "Sabe quando seu time joga contra um lixo, e os pés deles ficam preguiçosos, porque sabem que vão ganhar?". Não, na verdade, não sei, porque em matéria de futebol sou uma negação. Finalmente, domino a conversa ao que nós, pelo menos eu, viemos, antes que ele comece a falar sobre a jogada de impedimento que, sinceramente, me colocaria em apuros.




RFB: Echo and The Bunnymen estão na estrada por mais de trinta anos já...

IM: É verdade, pois nosso primeiro show foi em 1978... uau! E eu só tenho 26 anos!

RFB: O que mudou?

IM: Não muita coisa, pra ser sincero. Acho que as letras mudam, as melodias são diferentes, é um processo contínuo... o estilo de composição, é meu diário, é minha arte auto-expressiva. Ainda estou rascunhando, e de vez em quando você consegue uma página que é uma grande obra de arte...

RFB: Então é você totalmente expresso na música?
IM: É. Através da música eu tento manter meu orgulho e auto-estima, minha ambição e meu romantismo, minha auto-desconfiança, culpa, tudo numa coisa só.

RFB: Você fica cansado depois de 30 anos fazendo turnê?

IM: Agora fico sim. Eu dizia que adorava sair em turnê, mas não era bem isso. Adorava tocar ao vivo... Eu disse sim para os empresários que não quero ficar viajando por aí, não gosto de ficar em ônibus de turnê, andando por aí com outros doze caras, dividindo o banheiro, viajando à noite... Não consigo dormir até o ônibus parar, porque fico claustrofóbico; por isso, eu dormia na recepção e esperava que todos fossem para a cama, já que sou geralmente o último a pegar no sono... Não me importo de viajar, pois é parte do negócio. Prefiro [que os shows sejam] mais espaçados, sabe, vamos fazer quatro shows no Reino Unido no mês que vem, daí vamos para os EUA para quatro shows... então voltamos e fazemos mais shows em dezembro... Às vezes não fico ansioso pelos shows e só faço palavra-cruzada nos bastidores! Gosto quando já estou na cidade um dia antes... Sempre fui assim, mas acho que, quando você tem 21 anos, você adquire uma outra energia além da sua, seja o que for que estiver comprando, energia num pacote... [mas tocar ao vivo], parece sempre a primeira vez e ainda me empolga agora que vamos para São Francisco tocar Ocean Rain no mês que vem, e isso meio que me causou ansiedade de novo pela coisa ao vivo. Certa noite pensei, é isso aí, quero fazer Ocean Rain.

RFB: Você tem tempo livre para conhecer os países em que toca?

IM: Não sou bem o tipo que fica passeando. Nova York, [por exemplo], não importa que prédio é, se é o Empire State ou apenas algum que diga 'Johnny´s bar' na fachada, não importa. [Nova York] tem um clima que é totalmente único; é maravilhoso, toda aquela fumaça e todos aqueles sons, é como uma grande fábrica, mas tem sons de que você gosta e que duram a noite toda. E o mesmo em Liverpool... Se fosse 100% atraente, não seria Liverpool.

RFB: Qual é o seu lugar preferido para tocar?

IM: Nova York é um deles. Fico nervoso em Liverpool, não importa o quão seguro eu possa parecer, pois sei que sou parte deles, sabe? Adoro tocar em Londres também. Quando tocamos no [Royal Albert Hall] no ano passado foi tão emocionante! O Albert Hall foi sempre um prazer, porque fomos a banda que fez a grande descoberta que permitiu outras bandas tocassem lá, quando fizemos duas noites em 1983... cadeiras quebraram... depois que tocamos lá, eles deixaram outras bandas entrarem.

RFB: A reação do público difere de cidade para cidade?

IM: Liverpool é diferente, porque conheço muita gente que está ali, e quero que Liverpool saiba que este é seu filho, algo assim... quem quer que venha nos ver, 80% [do público] terá nos visto antes, e eles têm nos assistido ao longo dos anos, então não é como tocar para um público diferente a cada vez, eles têm nos acompanhado desde o começo... Tocamos nossas músicas, e eles adoram. [Se] você é reconhecido e tem músicas clássicas, são coisas que determinam o público que estará lá. Em festivais, [atraímos] nosso próprio público, e é estranho; levou muito tempo para chegarmos nesse estágio, porque eu não aceitei fazer isso por muito tempo.

RFB: Vocês adquirem muitos novos e jovens fãs ao tocar em festivais?

IM: É, foi isso que aconteceu. Acho que foi quando tocamos no V Festival, ano passado, e fomos em frente, e eu olhava para a plateia e pensava 'essas pessoas parecem muito jovens!´ E eles todos cantavam as músicas, não conseguia entender, adorei... Era como a primeira vez que eles nos assistiam, mas estavam todos cantando as músicas que eu me esforçava para lembrar. E foi assim por todo o show – geralmente acontece com ´The Killing Moon´ ou ´Nothing Lasts Forever´, mas não em músicas como ´Rescue´, sabe, os fãs sempre cantam o refrão e tal, mas isso é estranho. E pensei: ´alguma coisa aconteceu´. Sabe o que eu acho? Acho que chegamos no ponto agora em que as pessoas gostam de nós em todo os lugares e sabem que fazemos grandes músicas. O que sempre quisemos ser foi algo como The Velvet Underground. Tinha que ver com ser a maior coisa do mundo, ser uma dentre as bandas de sua coleção.

RFB: Seria difícil não deixar essa percepção influenciar você...

IM: Acho que estou mais sociável com as pessoas nas conversas. Estou mais... Não sei se tenho mais humildade, mas tento deixar claro que só quero me divertir e ser legal. Isso não deveria afetar o que você pensa a respeito das músicas; continuam sendo músicas sérias, mas se quero fazer uma piada fora disso, é o que eu faço, sabe? Me sinto mais relaxado em mim mesmo, e ainda sou muito insolente, mas... por não precisar ser admirado ou amado ou comprado ou tocado, parece ter ajudado.

RFB: O fato de estar mais confortável com você mesmo reflete na sua composição?

IM: Com o novo álbum acho que reencontramos meu sarcasmo insolente e enigmático, que veio de repente. Mas você não pode sentar e dizer ´quero escrever uma música como fiz em Crocodiles´. Me peguei dando umas cutucadas sugestivas e camaradas nos dias em que me senti como um cara sarcástico/insolente/atrevido... ´The Idolness of Gods´, no fim do disco, é sobre tudo. Uma vez disse que ´The Killing Moon´, bem, eu sempre digo, que é a melhor música que já fizemos, e agora eu sei por que, é porque não é apenas uma música – é sobre tudo, é como um quebra-cabeça – ´The Killing Moon´ pode ser construída de qualquer forma, porque é sobre tudo de algum ângulo. Eu sabia quando a escrevi que era sobre tudo, e eu me esqueci, e só recentemente que lembrei. Sempre adorei cantá-la, e pensando nessa música... ´The Killing Moon´: o título em si é o melhor título de música de todos os tempos. E ´The Idolness of Gods', quando comecei a escrevê-la, foram fragmentos de pensamentos e ritmos...

RFB: Tem um verso em 'Proxy', do novo álbum, que diz “Everybody look at us now” ("Todos agora olhem para nós"). Qual é a mensagem que você está tentando passar nessa música?

IM: Bem, quer dizer que estou falando com jornalistas ou qualquer um que seja um possível Anti-Bunnymen . Minha frase favorita é "I love it when you say you’re better than me,/ Like you know you’re as clever as me" ("Adora quando você diz que é melhor do que eu / Como vccê sabe que é tão esperto quanto eu"). Muita gente lida com pessoas espertas ao chamá-las de outra coisa, em vez de apenas dizer "você é mais esperto que eu", tentando chegar a elas com crítica de qualquer maneira, especialmente com alguém como eu. Sei que existem certos jornalistas por aí que, se eu escrevesse o equivalente musical da Mosa Lisa, eles cairiam matando em cima, criticariam fortemente, porque, por qualquer razão, enfiam na cabeça que não gostam de mim.

RFB: O jornalismo musical mudou muito ao longo da sua carreira?

IM: Os jornalistas escreviam artigos, coisas apropriadas, em que se podia descobrir algo de que você não sabia, não apenas coisas super críticas de um parágrafo inteiro... Talvez eu devesse fazer uma revista, tentar achar alguns grandes autores...

RFB: É isso que Jon McClure está fazendo, talvez você devesse entrar em contato com ele...

IM: Não! Ele pode entrar em contato comigo!

RFB: Tenho certeza de que ele adoraria... então, como foi trabalhar com Johnny Marr?

IM: É, foi bom. Escrevemos algumas coisas muito boas, sim. Mas decidimos tipo arquivá-las... mas ele é ótimo. O que adorei, além das músicas, foi que tivemos muitos momentos divertidos também, chorávamos de tanto rir... contando piadas, morríamos de rir até chorar. Posso vê-lo agora enxugando as lágrimas, e eu fazendo o mesmo – era hilário.

RFB: Facilita se você tem um bom relacionamento com as pessoas com quem trabalha?



IM: Às vezes pode ser uma relação estranha. Eu e Will somos tão próximos, às vezes nem nós mesmos notamos isso. Há um elo verdadeiro entre mim e Will, e damos muita risada. Mas foi diferente comigo e Johnny ( Nota : ex- guitarrista do The Smiths)** – foi apenas como um projeto, mesmo, para nós dois – e acho que ele me ajudou a ganhar confiança, porque ele dizia "Meu Deus, sua voz! Esse é você, ali nas letras"... Trabalhando com Johnny, pude ver que ele faz coisas, inversões, porque ele sabe tocar guitarra. Will ainda não sabe tocar bem guitarra, ele apenas toca, ele é intuitivo e, para mim, o guitarrista mais lírico desde Mick Ronson – linhas de guitarra extremamente lindas – e ele consegue acertar como ninguém consegue... Observando Johnny, ele juntava coisas que soavam diferente... soavam como uma inversão que você não consegue entender, e isso é engenhoso demais pra mim... é como dizer "Eu sou bom, quero fazer uma seqüência de acordes que ninguém consegue", a menos que se tenha sete mãos... [Johnny] era um pouco solitário/recluso, eu pensava, em termos do que ele queria fazer, pois ele estava fazendo música eletrônica, e eu acho que ele percebeu que aquilo era apenas um projeto temporário.

RFB: Você prefere criar com um parceiro?

IM: Curto as duas coisas, mas adoro escrever sozinho também. Compus [The Idolness of Gods] apenas no violão, nada muito elaborado, mas tinha de criar acordes que nunca tinha feito antes, porque tinha a melodia previamente na cabeça – é como escrevo as músicas agora, geralmente penso numa melodia.. é mais crua, eu acho, mais como um garoto faria... é divertido: pra mim, o processo de composição se torna mais ingênuo de certa forma, à medida que envelheço.

RFB: Há muito mais o que fazer depois de trinta anos no showbizz?

IM: Apenas fazer músicas. É como dizer a um pedreiro: "Você planeja construir mais merdas de casas?" Cada casa é diferente, e cada música é diferente. É a expressão de mim mesmo, posso até parar de falar, sabe? Cinco pessoas na minha vida me disseram que elas não se mataram, após terem ouvido "Nothing Lasts Forever". Escrever uma outra desse tipo e salvar mais cinco vidas, essa é a minha ambição... coisa grande.

Depois de mais de 30 anos com os Bunnymen e onze álbuns, Mac não mostra nenhum indício de se aposentar. O que ele diz faz muito sentido. Ele é uma daquelas pessoas cujas observações parecem tão óbvias, ainda que ninguém mais veja o que ele faz até que ouçam suas músicas. Certamente, Ian me fez pensar em como conduzo minhas entrevistas. Ele tem tanto conhecimento sobre a indústria da música, que é um prazer ouvi-lo refletir sobre jornalismo, turnê, gravação, qualquer coisa – até mesmo política. E se ele está evitando que as pessoas cometam suicídio através de suas músicas, Ian McCulloch, junto com os Bunnymen, deve estar fazendo algo muito especial mesmo.



**
Nota Complementar por Mr Lips.
Mac fala na entrevista que as fitas das gravações com Johnny Maar estão arquivadas. Mas dessas sessões sairam em single a música "Top of The World" tema da seleção ingelsa para a copa de 1998 e algumas faixas do disco Burned do Electrafixion são frutos dessa parceria. Existe ainda a "lenda" de que as fitas masters foram perdidas/roubadas.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

R.I.P. Jake

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Por Verena Kewitz

Tim Kopra who is a NASA astronaut will be taking a copy of Ocean Rain to
the Space Station in June on the STS-127.
He will be on the Space Station for 3 months, NASA astronauts are
allowed to take 1 CD with them to listen to, he contacted Bunnymen.com a
while ago to arrange this.
Fantastic news....

--
He emailed me a while back asking if the band would mind, I told Will
and he just got so excited about it, I think Will & Ian are presenting
him with a copy of the STUDIO RECORDED COPY of the cd very soon. He is
going to present it back to the guys on his return.
Ha ha ha U2 cant claim this one as a first LLLLLOOOOOOSSSSEEEERRRRRSSSS

_Traduzindo..._

Tim Kopra, que é um astronauta da NASA, levará uma cópia de Ocean Rain
para a Estação Espacial em junho no STS-127. Ele estará na Estação por 3
meses; os astronautas da NASA podem levar 1 CD para ouvir, daí o cara
contactou Bunnymen.com um tempo atrás para combinar isso.
Ótimas notícias...
--
Ele me mandou um e-mail um tempo atrás perguntando se a banda se
importaria, eu disse isso ao Will e ele ficou super empolgado, acho que
Will e Ian vão presenteá-lo com uma cópia de OR (estúdio) em breve.Ele
vai presentá-los quando voltar.
Ha ha ha o U2 não podem alegar isso como uma derrota!

sábado, 18 de abril de 2009

Entrevista com Les Pattinson


Texto: Simon Allum
Fotos: cortesia de Les Pattinson, Phil Nicholls e Will Seargent
Tradução: Verena Kewitz
Fonte original: http://www.incendiarymag.com/modules.php?name=News&file=article&sid=887
Ano da Entrevista: 2006



(cortesia Phill Nicholls)

O Echo & The Bunnymen levou o rock a lugares estranhos nos anos 80, lançando discos cheios de clima e mistério e tocando em lugares esquisitos e exóticos, da Ilha de Skye ao Rio de Janeiro. Seu forte comprometimento e integridade musical garantiram-lhes sucesso à sua maneira e devotados seguidores cult.
Em 1988, após o lançamento de seu álbum mais vendido, conhecido como “The grey album” - referente não apenas à capa, mas também, como consideram alguns, ao som em si da música - o cantor Ian McCulloch deixou o grupo para se dedicar à carreira solo. O restante dos Bunnymen continuou sem ele, mas após a trágica morte do baterista Pete de Freitas e um sexto álbum criticamente desprezado com Noel Burke nos vocais, o nome Echo & The Bunnymen foi enterrado no início de 1993.
Alguns anos depois, Will, Les e Mac se reuniram, e em 1997 aconteceu o magnífico retorno do Echo & The Bunnymen com o excelente Evergreen e o hit Top 10 Nothing Lasts Forever. Entretanto, durante a gravação do álbum seguinte (What Are You Going to do With Your Life?, de 1999), o baixista Les Pattinson achou que devia sair da banda. Em março de 2006, Incendiary falou com Les – que voltou à sua paixão de longa data por construção de barcos – sobre os altos e baixos com os Bunnymen, a importância do mistério e a forma mais fácil de se esvaziar uma pista em Cuba...

Portanto, em boa tradição Bunnyana, “vai lá, conte-nos tudo, tio Les”

IN: Começando bem do começo, antes dos Bunnymen, de onde veio a idéia de “Jeff Lovestone”?
LP: Do meu coração! Tinha um cara chamado Geoff Love, que fazia coisas na TV com Max Bygraves. O lance era que tudo vinha dos tempos do Eric´s, a lendária casa noturna em Liverpool. Todo mundo chegava com nomes de bandas. Era todo o mistério... as pessoas eram dessas bandas, e se elas dessem esse primeiro passo e fizessem uma música, seria ótimo, mas o lance todo com isso era que a gente tinha de ter esses grandes nomes para começar, para criar esse interesse, e se você conseguisse continuar isso com a música, seria brilhante. Um dos nomes que eu tinha era “The Jeffs”, pois um dos meus amigos mais antigos na escola chamava-se Jeff; veio de uma daquelas conversas de bêbados que tínhamos no banheiro feminino no Eric´s, eu, Will e Mac...

IN: No banheiro feminino? Onde havia o único espelho?
LP: É! Era assim: “Uau, tenho uma banda, vamos tocar semana que vem”, e eles perguntavam: “Como chama?” sabe – e eu respondia “The Jeffs”, e eles “Legal, então qual vai ser seu nome Les?”, e eu disse “Jeff, claro, e o segundo nome Lovestone”. Então, tudo veio dali, sabe, era isso. Ele está lá ainda, em algum lugar... Progrediu dos Jeffs para The Love Pastels. Era estranho porque os Bunnymen e os Teardrops ensaiavam juntos, tínhamos um espaço de ensaio na casa de um cara chamado Yorkie, que é o baixista do Space, ou era, então a gente falava com a mãe dele, e era muito engraçado, assim que a gente aumentava o volume, a mãe dele batia lá de baixo gritando: “Abaixa essa porra dessa música!”. Era o clima mais recriminador que poderíamos ter.
Um dia Mac não estava lá, e eu acho que o Will não apareceu, éramos só eu, Julian Cope e Mick Flinkler acho, e começamos a ensaiar, e saíam essas músicas psicodélicas - Apples from France, The Balloon Man will Know, Mr Tunbridge Wells, tínhamos um álbum completo que saiu em uma hora enquanto esperávamos pelo Mac, que sempre atrasava mais de uma hora de qualquer forma. Era legal!
(Tenho de dizer que eu gostava tanto da idéia dos Jeffs que eu pedi que meu nome numa camiseta de despedida de solteiro cinco anos atrás fosse Jeff Lovestone. Eu até tenho a camiseta pra provar! – Nota do editor)


O lendário Yorkie no lendário porão (cortesia de Les Pattinson)

IN: Você sempre se deu bem com o Julian [Cope]? Parece que o Mac brigava sempre com ele no passado?
LP: É... Mac é sempre instável com as pessoas. Às vezes ele se dá bem com elas, às vezes não. Ele tem um grande atrito, daí ele faz as pazes e depois são grandes amigos.
Eu acho que a rivalidade chegou a tal ponto, que ele tinha de se separar daquela cena de Liverpool. Não exatamente da cena de Liverpool, mas... sei lá... Julian era um alvo fácil, não era?, pois ele não era de Liverpool, mas eles [Teardrop Explodes] eram uma banda de Liverpool, aí o Julian fazia as coisas do seu jeito e se tornou um alvo fácil, ainda que fosse um alvo móvel, sabe. Sei lá.. éramos grandes amigos num momento, apesar que quando você olha para o lance todo, fomos provavelmente amigos por apenas duas semanas na verdade.

IN: Você conhecia o Will Sergeant da escola?
LP: Sim, eu estava na mesma classe que ele, e ele era o Sr. Expert em Música! Era Status Quo... e depois da fase psicodélica, era “Piledriver” , sabe aquele disco, e outras coisas estranhas. Basicamente eu acho que ele ainda não tinha achado sua identidade musical, mas era provavelmente melhor que a minha! Eu estava na fase do David Dundas de “Pull on my blue jeans” e toda aquela merda, sabe... Devo admitir que eu gostava mesmo do David Bowie, mas todo mundo na escola gostava.

IN: O Bowie foi sua primeira grande influência musical?
LP: Acho que sim. Tinha um monte de coisa que meu pai comprava. Eu adorava Andy Williams e tal, ainda que eu nunca admitisse isso na época, e também Bacharach e Tony Hatch, Downtown, coisas do tipo. Eu ainda tenho nostalgia de coisas como essas. Eu tive uma infância ótima, e isso fez parte dela, esse tipo de música.

IN: Como era estar num estúdio fazendo seu disco de estréia (Crocodiles)? Era divertido ou havia muita pressão?
LP: Eu me sentia culpado. Era divertido e muito fácil, porque nenhum de nós sabia o que estava tocando, mas todos tínhamos esse entusiasmo ambicioso do quanto queríamos fazer barulho e fazer músicas, e funcionou. Me senti culpado porque tinha vindo de uma classe trabalhadora, e se eu quisesse fazer mais grana, fazia hora extra e tudo era relativo. Daí de repente você se vê fazendo algo de que realmente gosta e que te fazia se sentir natural, só fazendo barulho e sendo pago por uma gravadora e não tinha mais volta. Se fizesse errado e não vendesse bem, você não tinha que devolver a grana, era estranho isso. A gente tava ali sentado, a maioria das músicas eram feitas numa tirada só, eu e Pete ficávamos lá, e em alguns dias tínhamos todas as bases das músicas prontas, daí nas próximas duas semanas e meia ficávamos sentados fazendo nada. Testando nossa moto, pensando 'o que está acontecendo?' sabe...
Se tivesse alguma coisa que não pudéssemos tocar ao vivo, não queríamos que entrasse no disco. Queríamos captar aquele elemento de magia e sugestão, que acho que é o grande lance da música; isso é que a faz boa, sugere coisas que não estão ali. E quando você coloca alguma coisa nela que você acha que escuta, soa merda, sabe, fica demais. Você tem de ter mistério, e lacunas e buracos através das músicas.

IN: Uma vez fiquei sentado tentando aprender a linha de baixo de A Promise e fiquei abismado quando descobri que são só três notas. Soa como se tivesse um monte de coisa nessa música, mas as linhas de baixo e de guitarra são muito simples...
LP: É, é isso o que eu adoro fazer, adoro fazer essas linhas de baixo, que vão e vêm, e a cada três vezes numa volta elas mudam tudo... Mesmo sendo só três notas que todos toquem, eles as tocam em tempos diferentes, e daí de repente você tem uma combinação de 9, 12 etc., sabe... As coisas mais simples, as idéias mais simples são as melhores.

IN: Qual foi sua primeira impressão sobre o Bill Drummond?
LP: Eu não confiava nele! Essa foi minha primeira impressão. Tá aí um cara que tinha se arriscado em direção a Liverpool, e tínhamos conhecido essas pessoas de gravadora e ouvíamos todas essas histórias, víamos os programas clichés de TV sobre como as pessoas tinham sido enganadas, sabe... que tinham escrito grandes músicas, havia muita paranóia. Mas eu gostava dele, realmente gostava dele, era algo estiloso, mas metade de mim queria gostar dele, de suas idéias e do jeito como fazia as coisas, e a outra metade, que todos tinham também, como uma precaução, cuidado – não queríamos perder o controle do que tínhamos, mas não sabíamos o que tínhamos! Éramos ingênuos. Ninguém de nós sabia o que iria acontecer, e aí tinha um cara que nos faria trabalhar. Para ser justo com Bill, com discernimento, ele fez coisas ótimas para nós, mas na época era tipo... ele colocou trompetes – ele ou Dave Balfe – em The Cutter e pensamos “Por que diabos você fez isso?”, sabe...

IN: Você não tinha idéia de que ele tinha feito isso?
LP: Não! Mas sendo justo com ele, ele disse que “é isso, mas se vocês não gostam, eu tiro”. Era uma daquelas coisas que... era estranho, era como alguém tirando uma foto de você e não parecer você, não éramos nós. Mas muitas outras pessoas nas gravadoras diziam “Ah, isso é fantástico, vai ser ótimo, vai ser um grande hit, blá blá blá”, então você não sabia o que pensar. Se você se mantém em seus propósitos, você ganha um pouco de respeito, mas também pode conseguir o oposto, quando as pessoas pensam que somos idiotas porque não conseguimos o melhor som possível.

IN: Balfe queria teclados em Crocodiles também, não queria?
LP: É, ele era como um gato, ele queria mijar em tudo! Não, ele não era tão ruim assim, mas nós... nossa idéia de empresários era diferente, tipo... alguém conseguindo uma namorada quando jovem, você pensa, é legal, por enquanto ela serve até eu conseguir conhecer alguém melhor, sabe? O lance sobre o Bill Drummond é, olhando pra trás, ele era lendário, era genial, mas levei um tempo [para gostar dele]. Acho que o Will o conhecia melhor e confiava mais nele; eu não. Mas aos poucos fui confiando nele; talvez aquilo fosse parte de ele saber como eu era e o que eu queria, até onde ele poderia pressionar, e no fim acho que nós nos entendíamos. Ele me respeitava, e nós nos respeitávamos.

IN: Você diria que o Bill contribuiu muito para o status mítico dos Bunnymen?
LP: Eu diria que ele nos ajudou a conquistar isso, acho que todos queríamos isso. Não queríamos ser mais uma banda fazendo turnê, muito pelo contrário. Ele tinha um amigo, Bill Butt, que acrescentou alguma coisa àquele lado mítico, ele nos ajudava a alcançá-lo, sabe. Esses caras eram um pouco mais velhos que nós. Bill Butt, que fazia a iluminação e dirigiu Shine So Hard, entre outras coisas, sabia como fazer as coisas de forma esquisita e ele queria fazer coisas mais vanguardistas, e queríamos ser totalmente vanguardistas, sabe... Eles eram como bons niveladores, pelo fato de dizerem “Vocês não podem fazer aquilo, isso é o melhor que vão conseguir, será esquisito o suficiente!”

IN: Alguns dos primeiros shows pareciam quase Prog , com a iluminação e fumaça...
LP: É... não éramos limitados de forma nenhuma, mas não queríamos perder a compostura, dá-la a pessoas como Dave Balfe para levar embora, pois eles a destroem – o que tínhamos – mas de novo não sabíamos exatamente o que tínhamos. É como o velho cliché sobre as entrevistas dos Bunnymen, tipo o Will e eu dando entrevista, é como uma reação química, quatro pessoas, de quatro origens quase diferentes, eu e Will talvez não, mas definitivamente com quatro diferentes gostos musicais, e eram essas quatro químicas se misturando... não sabíamos o que tínhamos, mas sabíamos como mexê-las.

IN: Tem um poema seu na música Over the Wall. Como isso aconteceu?
LP: Era uma daquelas coisas que fiz, de modo que as pessoas em 20 anos me perguntariam sobre o que era! Não, era diferente cada noite... Era mais um pouco de mistério. Para mim, é uma música muito, muito hipnótica, e eu nunca poderia cantar em cima de uma linha de baixo. Sempre tive bateria e baixo na minha cabeça, então essa foi uma daquelas raras oportunidades em que é só uma coisa melódica, com uma coisa rítmica girando, girando, em que eu de fato pudesse falar por cima e acrescentar algo. Era o Mac fazendo algo mais importante, e eu fazendo esse poema, foi assim que se desenvolveu. Daí fui até o microfone e fiz aquilo. O motivo pelo qual eu tinha um microfone foi que Mac queria que eu fizesse backing vocals, mas eu era um lixo cantando, estava muito ocupado me concentrando no ritmo. Sou daquelas pessoas que, bem – na minha cabeça só tinha as batidas e ritmos, e conversas não entravam. Bem, seria diferente se eu visse uma mulher bonita na minha frente, mas foi isso!

IN: Sobre o que era o poema?
LP: Basicamente sobre quando você é criança e não quer dormir. Era assustador, sabe, o jeito como você vê as coisas nas cortinas, coisas desse tipo, era sobre Sandman, e em vez dele jogando areia nos seus olhos, ele começa a falar com você para que fique cansado, e você entra no mundo dele, era tudo muito bizarro.

IN: Adoraria ler [o poema], você tem isso escrito em algum lugar?
LP: Não! Você vê... mistérios... tá tudo lá... Todo mundo tinha um final diferente cada noite, por isso eu não lembro, mas eu vou dar uma ouvida e filtrar para poder ouvi-lo.

IN: Eu li que você particularmente não gostava de sair em turnê, é verdade?
LP: A gente odiava excursionar e ficar longe de casa, porque era sempre trabalho, e você recebe de fato o pior do negócio sabe? Fora a noite toda, o que era legal, mas ficar em hotéis o tempo todo, a gente odiava isso... Talvez fossem os punks em nós, mas sempre odiamos o estilo de vida rock'n'roll. Você ficava com os roadies que estavam 10 anos desatualizados. Na verdade, eles ainda continuam! Nunca vai mudar, mas odiávamos tudo daquela cena. Tocar ao vivo era maravilhoso, adorava, mas não das outras coisas intermediárias, por isso costumávamos vestir os roadies... sabe, fizemos eles usarem camuflagem e tudo aquilo. Tentávamos mudar tudo sempre que podíamos, mas não gostávamos de excursionar. Tornou-se incrivelmente chato. Estávamos cientes disso, quanto maior o lugar que você toca – legal, mas tinha um equilíbrio entre o quanto você poderia se esforçar para tocar e o quanto aquilo arruinaria sua performance e o tamanho do lugar, sabe. Por isso, estávamos conscientes daquilo e queríamos que cada show fosse especial, verdade. Ficávamos chateados quando era um show merda. Se McCulloch desafinasse, 9 dentre 10 vezes ele percebia, ainda que estivesse bêbado, e ele ficava fingindo e disfarçando: “Uau, isso foi legal, não foi?”, e respondíamos “não, não foi mesmo”. Éramos como um bom time de futebol, queríamos estar no topo, mas com um número mínimo de jogos!

IN: Você pelo menos curtiu conhecer lugares diferentes?
LP: Sim, amamos tudo referente a isso. Na verdade, teve um elogio bem legal... Will estava aqui em casa uns três anos atrás, e eu não o via há uns 2 anos, eu estava perguntando pra ele “E aí, como estão indo as coisas?” e ele disse “Ah, tá tudo bem... ainda sinto falta do meu melhor amigo, quando vamos fazer compras”. Não percebi o que ele tava dizendo até pouco tempo depois, e para o Will dizer algo assim, pois ele não é o tipo de cara sentimental, daí de repente percebi quando ele foi embora que aquilo deve ter sido bem difícil de dizer, sabe. Mas nós costumávamos sair pra fazer compras. Ficávamos entediados nas turnês, então quando estávamos nos EUA comprávamos aqueles carrinhos com controle remoto por uns 300 dólares cada e montávamos no hotel, em vez de sair toda noite. Mac saía toda noite e gastava toda a grana, mas nós ficávamos no quarto do hotel brincando com esses carrinhos! A gente saía e apostava corrida com eles. Acho que era para nos distrair daquele público todo quando tocávamos, passávamos o dia todo preocupados se teríamos pilhas carregadas para os carrinhos, então na passagem de som, que virava sempre uma rotina, a gente fazia corridas com esses carrinhos, e a equipe toda entrava na brincadeira, era muito legal!

IN: Eu li que havia diferenças nos hábitos de turnê entre vocês da banda. Mac descreveu como você saía do palco depois dos shows no Royal Albert Hall (em 1983), e a primeira coisa que Will fazia era comer um sanduíche de bacon . É verdade que vocês levavam coisas como frigideiras nas turnês?
LP: Eu acho que tinha uma frigideira no Albert Hall! Tenho muitas fotos, devo ter umas 10 mil fotos da vida dos Bunnymen, e tem uma ou duas dessas... Acho que a última vez que Will fez isso foi quando estávamos em turnê sem o Mac, no início dos anos 90, e tenho fotos do Will com seu fogão a gás de acampamento, do lado de fora do ônibus em Seattle, colocado sobre um hidrante, fritando tudo na rua, sabe, parece bizarro.


(Will e Les sofrem os sintomas de abstinência pós sanduíche de bacon, depois da insistência de Mac em que a banda tivesse um estilo de vida mais rock'n'roll)

IN: É verdade que você e Will, em particular, dividiam uma atitude ou humor de que Mac nem sempre gostava...
LP: Bem, não sei... quer dizer, Mac era legal. Se você quisesse ficar bêbado e dar risada com pessoas famosas e igualá-las a você, Mac tem o talento pra isso, é inacreditável. Mas toda noite se torna um pouco chato, sabe? Tipo, estávamos indo pra Itália, ou algum outro lugar, a gente ... não via tudo, mas a gente encontrava o maior número possível de garotas locais e entrava no clima. Nos sentíamos privilegiados, não queríamos só pensar “Ah, onde estamos essa noite, mesmo, sabe, Florência, o que estamos fazendo aqui? Não vejo a hora ir pra casa", tipo... entrávamos no clima, sabe, e tentávamos derrotar os cogumelos ímpares quando possível , coisas assim. Era surpreendente, por 20 anos eu tive o privilégio de ter um dos melhores e mais fáceis empregos do mundo, sabe. Era muito legal, com as melhores pessoas. Mas podia ficar muito monótono, embora estivéssemos cientes disso e não quiséssemos que fosse assim; sabíamos que era especial e queríamos fazer melhor.

IN: Você falava com Pete quando ele ficou nos EUA?
LP: Sim, no começo, quando ele foi pra lá, ele parecia lúcido às vezes. Daí quando eu tinha acabado de ter a minha filha, eu estava na casa da minha sogra – ex-sogra agora – recebi um telefonema do Pete às 3 da manhã, ele queria que eu ligasse para o meu pai para que ele criasse um telefone para falar com alienígenas. Eu dizia, “Pete, volte pra casa, o que você está fazendo?” e tal, mas não tinha como fazê-lo mudar de idéia, ele só dizia “Les, eu tenho uma máquina no meu quarto aqui no hotel, que eu posso ligar a TV, apagar as luzes, ligar o rádio, posso programar meu despertador, tudo com esse negócio aqui, então seu pai que é designer, se eu desse pra ele um telefone, ele poderia criar um aparelho para falar com alienígenas”. Ele falava de maneira séria... Eu me sentia sozinho de alguma forma, talvez porque eu era o mais próximo do Pete na banda, no que diz respeito à música, e ele devia ter ficado com a gente, foi muito ruim.
Ele levou uma comitiva com ele que devia ter cuidado dele e o trazido de volta, sabe... esse cara, que é um baterista numa banda, criou essa outra banda (The Sex Gods), e iria fazer esse filme, e era um grande projeto de arte em que todos estavam envolvidos, todos se afundaram nas drogas e tudo; então provavelmente eles não conseguiam ver isso; talvez fosse mais fácil para eu ver de fora, mas...sabe, se alguém estivesse pagando minhas bebidas a noite toda num bar, daí a pessoa fica no chão, eu a teria ajudado a voltar pra casa, sabe. Era o que eu pensava na época. Como eu digo, todos ficaram absorvidos na coisa toda, e de fora, toda a coisa dos Sex Gods, quando você vê, era fantástica, mas de onde eu estava, era muito ruim, sabe.

IN: Antes de mais nada, por que você acha que ele tinha de ir?
LP: Bem, tinha um tempo... Pete era legal, quer dizer, Will concordava com tudo, a menos que significasse mudar algo que ele tinha escrito sabe, e eu tentava ser muito diplomático; o que acontecia era que, tipo... Mac é como uma criança, e nós sabíamos até onde podíamos pressioná-lo e fazer a idéia parecer dele e fazê-lo gostar; desse jeito seria mais produtivo, sabe, você poderia progredir. Ao passo que, de repente, Pete se virava e dizia “Isso é uma merda!” sabe, “Espera aí, isso é merda”, e daí enquanto tentávamos convencer Mac de alguma idéia, do nada ele diria “Têm razão, isso é uma merda!”, de certa forma era um grande jogo, não exatamente um jogo mental, mas Pete era realista. De repente ele dizia “Não, isso foi longe demais... é lixo”, e nós sempre tentávamos voltar atrás. Em cada música, devia ter algo que valesse a pena salvar, mas o Pete era quem sempre queria começar de novo, sabe, o que era bom, e eu acho que Mac o anulava um pouco, era tudo um jogo de poder, e por bem ou por mal, Mac tinha suas razões e seus meios, mas ele queria não o poder da banda, mas sim ser visto como o líder da melhor banda do mundo; ele não queria ser o chefe, e essa era a diferença.
Eu acho que as coisas às vezes irritavam o Pete, porque ele queria dizer “Olha, isso tá errado”, sabe. Ele teve sua vela apagada uma ou duas vezes. Acho que aquela frustração o levou a ter um pouco de crise. Uma vez estávamos na Holanda – em Utrecht eu acho – e Pete nunca tinha de dar em cima das garotas, sabe, ele era do tipo natural, as garotas vinham até ele, e ele raramente tinha de conversar e acabava ficando com elas, mas dessa vez ele tava bebendo, como todo nós, e ele ficou como um tio escroto que ficava atrás da sua namorada. Foi tão estranho, inconsistente, que achamos que algo estava errado, sabe. Ele se esforçou tanto pra dar em cima da garçonete e levou um fora, ele nunca fazia isso!
Mas ele voltou e mudou mesmo, sabe...
Quer dizer, eu o classificava como um dos melhores bateristas do mundo, facilmente, eu nem me colocaria na mesma legião, ele colocava tanto esforço, e eu tentava fugir disso sempre que podia, e dizia “isso é por sentimento”, sabe. Mas ele era simplesmente brilhante. Ele podia tocar o ritmo mais simples, e seria repleto de paixão e força. Ele me fazia parecer bom, e era fácil de se prender a ele. As pessoas dizem que éramos a melhor seção rítmica, mas devo admitir, acho que 80% era o Pete, ele era maravilhoso.


Pete e Les

IN: Que tipo de música você gosta de ouvir hoje em dia?
LP: Ouço música principalmente no carro. Uma ou duas coisas, o que eu tenho? Algo do Snow Patrol, tenho um álbum do Air, Moon Safari. Só pra relaxar, sabe. Tenho um desses Cd-players com 6 cds. Eu geralmente ouço muita coisa no rádio. Eu dirigia muito à noite e adorava o Blue Room na Radio 1, ... é que eu precisava de trabalho uns anos atrás, então comecei a dirigir caminhão na Escócia, e eu costumava sair à noite, e ouvia esse programa. Eu ia dirigindo pelas montanhas escocesas, e considerando que era Radio 1, a música era qualquer coisa desde Frank Sinatra até Glen Campbell, Wichita Linesman, sabe, e eu ficava escutando, aumentava o volume e ficava dirigindo enquanto o sol nascia, era uma música para te manter em movimento, sabe, era fantástico.

IN: Qual disco dos Bunnymen você diria que é seu favorito?
LP: Ocean Rain. Por causa da forma como gravamos e tudo. Foi em Paris, e usamos esse estúdio de música clássica, todos essas superestrelas francesas gravavam ali, por causa do som do vocal, essa foi a razão principal. Mac convenceu a gravadora a gravarmos ali, sabe “Precisamos de um lugar especial... um lugar em que possamos captar o som do vocal”, sabe... “Todo aquele romantismo na minha voz”. Então acabamos indo lá e gravando as melhores faixas que já tínhamos feito em três semanas, mas ele não conseguiu colocar os vocais e acabou gravando em Kirby em Liverpool! Foi meio irônico, mas é brilhante. Mas todas as cordas, sabe... e tudo, foi muito legal. Eu diria que aquele foi um dos melhores momentos que tivemos. Foi estranho, porque nos colocaram nesse país estrangeiro, e o engenheiro nem falava inglês, daí tínhamos de explicar pra ele os sons que queríamos com barulhos. Foi o primeiro que nós mesmos produzimos, e isso foi ótimo, pois fizemos do jeito que queríamos.
Eu e o Will pegávamos nossas bicicletas também e andávamos por Paris, sabe, era ótimo. Fizemos muitas gravações em Bruxelas também, Todo mundo diz que a Bélgica é um país chato, mas é fantástico.

IN: Bruxelas é um dos meus lugares favoritos...
LP: É, foi o primeiro país estrangeiro em que tocamos. Tocamos no Paly K e íamos a essas casas noturnas depois, elas ficavam abertas até 6 da manhã, sabe, não podíamos acreditar, pois na Inglaterra fechavam a uma da manhã, no máximo. Era fantástico!

IN: Se Mac não tivesse deixado a banda para seguir carreira solo em 1988, você acha que o próximo álbum teria soado como o Reverberation ou teria seguido o trajeto do “Amiguinho da América” - o Grey Album?
LP: É difícil dizer... naquela época todos estávamos adquirindo computadores. Ataris, com Base Q, tudo aquilo estava evoluindo, e para ser justo, acho que musicalmente, quando você ouve Reverberation, alguns dos sons e músicas ali são ótimos. Gostamos de Noel Burke como pessoa, mas ele não emplacou como um substituto de Ian. Acho que nunca poderíamos ter uma substituição, sabe, mas para ser justo com o cara, ele fez o seu melhor.

IN: Para mim, Reverberation é um álbum incrivelmente subestimado. Faltavam os vocais, mas a música é brilhante...
LP: É, se você imaginar Mac cantando aquelas músicas, e com as letras dele, acho que teria sido fantástico.



IN: Você pensaria em se juntar aos Bunnymen de novo?
LP: Não! Não... O motivo todo porque eu quis ser um músico e estar numa banda – meu conceito – foi que havia muita gente velha fazendo isso. Will tocava os discos do Doors para mim e me mostrava fotos do Jim Morrison, todos gordos e de barba, e eu pensava “Nem importa a música, veja a imagem!” Não estou dizendo que sou perfeccionista e que tudo tem de estar certo, mas aquela coisa punk estava acontecendo, e quanto mais jovem você fosse e quanto mais você pudesse aparecer com uma música descartável, mais eu gostava, sabe?
Eu não sei... é muito estranho sabe, mas por causa das circunstâncias em que saí, e eu tive de sair, Mac estava sendo totalmente impiedoso de uma forma terrível, em vez de compormos juntos, ele estava tentando pôr o nome dele em tudo e empurrar as pessoas pra fora do lado musical das coisas. Quando ele é seu amigo, você ama o cara, tive boas risadas com ele, sabe, momentos de gargalhadas de doer o estômago, e da mesma forma o outro lado da moeda, agredindo as pessoas, sabe como é? Ele é como um irmão, mas não fazia sentido o que estávamos atravessando. Ele queria reescrever os livros de história e colocar seu nome em tudo. E eu descobri – devido a algumas circunstâncias – que foi de uma forma horrível que ele fez isso.
No último álbum (What Are You Going to do With Your Life?), eu tinha a guarda dos meus filhos e estava passando por divórcio, quando me chamaram para fazer o lance da banda. Era arriscado, entende? Então... Me senti dividido, porque tinha meus filhos e dei duro por aquilo, para de repente largar tudo deixar meus filhos... foi duro. Minha mãe tinha esclerose múltipla e meu pai tinha morrido em 1994, então minha mãe estava numa cadeira de rodas, e quando pediram para irmos pro estúdio gravar, perguntei “Não seria melhor a gente aparecer com algumas músicas primeiro?”, e me disseram “Não, sempre fazemos nosso melhor trabalho no estúdio de uma vez”. E eu pensei, “Isso não tá certo”. E daí Mac tinha aquelas músicas de anos atrás, sabe o trabalho com o Johnny Marr, e ficaram todos surpresos. Daí recebi uma ligação bem no primeiro dia de gravação dizendo que minha mãe tinha tido um enfarto, que no fim era um câncer, então eu fui embora. Alguns dias depois, o médico disse que ela só tinha 6 meses de vida, então quis passar os últimos dias com a minha mãe. Então... com isso, e por descobrir que as músicas já estavam prontas, eu não teria nenhuma chance de ganhar dinheiro com isso. Antes as músicas vinham de diversos lugares, talvez a bateria ou uma base de baixo ou de guitarra, daí a gente juntava numa música tipicamente Bunnymen, colocava as letras em cima e via como ficava, daí mudava se fosse necessário. Mas nunca tínhamos composto em torno de um único compositor antes. E foi sem consentimento, se é que você me entende, então foi isso que me tirou da banda.

IN: Tinha uma sensação melhor em torno de Evergreen?
LP: Sim, isso foi legal, foi muito bom. Eu estava muito apreensivo antes, mas... o que rolou foi que Will e eu ainda mantínhamos contato e ainda tínhamos um depósito juntos; eles estavam fazendo o Electrafixion, e de qualquer forma, era a minha vez de cobrar o aluguel [do depósito]. Então eu fui na casa do Will e dei a parte dele do aluguel, e ele estava agindo muito discretamente, e eu perguntei “O que foi?”, e ele: “Nada, nada”, daí eu estava saindo e tinha me esquecido de entregar o dinheiro pra ele, daí voltei e estava para bater na porta quando ele abriu e disse “Vou te falar o que é, Les, você tá a fim de se reunir com os Bunnymen de novo?”. Eu fiquei meio na dúvida, mas daí ele disse para aparecer lá e ver o que estava rolando. Então a gente foi na casa do Mac, isso foi depois de um monte de ligações dizendo que ele estava exausto, ele tava de saco cheio do lance de gravadora, não era mais como antes, ele de fato escuta o que as pessoas têm a dizer, sabe? Eu não sabia o que estava acontecendo, porque não falava com ele há três anos, então fomos ao porão da casa dele e começamos a escrever coisas juntos. Acho que Will e Mac tinham uma ou duas idéias, daí pensei, espera aí, o que está acontecendo aqui, essa música parece que já está pronta, não vale a pena eu tocá-la, daí falavam “Ah vai ser como nos velhos tempos, você vai ter a sua parte, não se preocupe. Tudo dividido em três, se não for assim, não funciona”. Então desde o começo era assim, e escrevemos várias coisas juntos, e era como nos velhos tempos, em que cochichávamos um com o outro.

IN: I´ll Fly Tonight é uma das minhas favoritas nesse álbum. É um clássico dos Bunnymen...
LP: É... todos nós contribuímos nos arranjos, e essa é a mágica, sabe? Essas eram as melhores coisas dos velhos Bunnymen, alguém podia ter só uma linha, e todos começavam, não a estragá-la ou aumentá-la demais, mas a usar aquela linha.

IN: E claro, Nothing Lasts Forever deve ser o maior single da volta de todos os tempos...
LP: É, eu ouvi essa hoje. Eu tinha um rádio ligado no barco, mas estava trabalhando do lado de fora no topo do barco a uns 15 metros dali com um monte de outros caras, e eu disse “Espera aí, estão tocando nossa música!”, e eles responderam “Que música? Do que você tá falando?”, então eu corri lá dentro e aumentei o volume, foi fantástico. Inicialmente houve muita reflexão sobre coisas como essas. Originalmente seria chamada Never, Never, Never... e daí Mac cantou “Nothing Lasts Forever” no refrão, e aí falei “É isso! Essa é a nossa música!”, e ele disse “É, você tem razão!”. Foi brilhante, um daqueles momentos.



IN: Você poderia se ver voltando a tocar no futuro?
LP: Devo admitir, não me importaria em tocar baixo de novo, numa jam session, sabe. Eu adoro a coisa de gravar, mas ao vivo é um jogo de gente jovem... Acho que como banda éramos jovens, e todos os fãs dos Bunnymen cresceram. Mas, claro, ainda estamos juntando prêmios para o Coldplay!

IN: Não sei se Chris Martin de fato capta o que é tudo isso...
LP: Devo admitir que os vi em Manchester, e achei bom, mas, para mim, não se sai dançando logo na primeira música. Tipo, ele está se forçando a isso. Eu sei que é estranho e meio 'David Byrne' de certa forma, mas faltou alguma coisa com certeza.
Os discos deles têm o mesmo efeito na pista de dança que tinham os álbuns dos Bunnymen... Acabei de voltar de férias, e tudo que os caras na disco tocavam era a porra de Billie-Jean. Eu peguei emprestado esse I-Pod de um canadense, que tinha um pouco de 50 Cent, não que eu seja um grande fã, mas é melhor que Billie-Jean – e a minha esposa comprou um disco do Coldplay, e eu fiquei tocando Talk no fone de ouvido, estava começando a gostar, e aí pensei “Vou tocar isso na disco hoje à noite”. Então coloquei, pensando que os canadenses iriam gostar, e a pista esvaziou! Eu estava sorrindo, e todo mundo perguntava “Por que você está sorrindo?”. Isso me lembrou os discos dos Bunnymen. Todos gostavam tanto, mas quando você colocava na pista, esvaziava!

IN: Foi por isso que Never Stop foi feita?
LP: É! Vou te dizer uma coisa, acho que tenho na garagem a versão original de Never Stop, acho que vou jogar fora na verdade, o título era I Wish I Was a Garden. Tinha uma banda chamada Ravishing Beauties, que durou pouco, com três garotas tocando violino, corno inglês e teclados (ou algo do tipo), e elas eram muito estranhas. A garota que tocava corno inglês estava saindo com Dave Balfe, e ela tocou na música e ficou muito bonito. Se transformou em Never Stop a partir desse tipo de música com corno inglês, gravada no estúdio de Mickey Most em Londres. Está aí outra coisa... não foi o Steve Lillywhite que fez todos os primeiros trabalhos do U2? (foi sim – responde o editor) Ele entrou no estúdio e começou “Ah, certo, que tal colocar suas guitarra naquele amplificador ali, Will?”. O Will olhou pra ele e disse “Quem diabos é você?”, foi maravilhoso. E ele ficou tão chateado, que respondeu “Acho que isso não vai dar certo”, e saiu, foi maravilhoso. A gente não queria o cara mesmo!

IN: O Will sabia quem ele era?
LP: Acho que não. Acho que nenhum de nós sabia! Ele tava sendo muito autoritário. O lance é que não sabíamos como gravar, mas ele sabia que sons queríamos, sabe, e o Will tinha seus equipamentos montados, e esse cara começa a brincar com o amplificador, daí tipo... por que você não coloca o amplificador na calcinha, entende?

IN: Para terminar, e mais importante, quando foi a última vez em que você se transformou num cachorro por completo?
LP: Na verdade, foi em 8 de fevereiro deste ano. Eu mordi alguém no joelho, de férias em Cuba. Foi de noite, e foi algum canadense que conhecemos. Ele tinha uma queda por cachorro de rua, então me escondi num canto e o mordi no joelho. Eu mal conhecia o cara, mas nos tornamos bons amigos depois disso!